Indústria têxtil pede ajuda ao ministro da Fazenda
O presidente da AmpeBr, Anílcon ‘Nilo Schulenburg, divulgou na quarta-feira (21), uma carta assinada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), referente à crise têxtil no País, e que foi encaminhada ao ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Nela, o presidente da Abit, Aguinaldo Diniz Filho, diz esperar que o setor têxtil receba do governo brasileiro o mesmo tratamento dado à indústria automobilística, em relação à "preocupação (...) com o processo de desindustrialização e desintegração das cadeias produtivas ora em curso".
"São Paulo, 16 de setembro de 2011.
Ao Excelentíssimo Senhor
Ministro Guido Mantega
Ministério da Fazenda
Brasília
Senhor Ministro,
Parabenizamos a decisão do governo brasileiro de aumentar as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidentes sobre os automóveis fabricados no Brasil com mais de 35% de conteúdo importado, além dos veículos importados. Esta decisão demonstra claramente a preocupação do governo brasileiro com o processo de desindustrialização e desintegração das cadeias produtivas ora em curso.
Com relação à indústria têxtil e de confecção ocorrem as mesmas ameaças que vem sofrendo mais recentemente a indústria automobilística e manufatureira de uma maneira geral. Com base no nosso anuário de 2011 relativo ao ano de 2010, a indústria têxtil e de confecção faturou US$ 60,5 bilhões equivalentes a 5,5% de toda a indústria de transformação.
Os empregos diretos alcançaram 1,67 milhão de trabalhadores representando 16,4% de todo o pessoal ocupado na indústria manufatureira. Se adicionarmos aos empregos diretos os indiretos e os gerados pelo efeito renda, alcançamos 8 milhões de pessoas ligadas à atividade têxtil e de confecção. Quanto a indústria automobilística, segundo dados da ANFAVEA, seu faturamento em 2010 foi de US$ 93 bilhões e os empregos diretos alcançaram 138 mil pessoas.
Com relação ao desempenho da indústria têxtil e de confecção, os números de 2011 são extremamente negativos. No acumulado do ano até o mês de julho, a indústria têxtil teve perda de 14,4% na sua produção e a indústria de confecção 3,03%. Somente no mês de julho/11 comparado com julho/10, a perda de produção da indústria têxtil foi de 20,89% e a da confecção foi de 13,88%. Nem nos piores momentos da crise 2008/2009, tivemos números tão negativos para a indústria. Em paralelo, o varejo do setor cresceu 6,7% em 2011, no acumulado até julho, e as importações de vestuário cresceram 0,97%.
A indústria automobilística, por sua vez, apresentou, nos últimos 12 meses terminados em agosto/11, crescimento de 4,4% em sua produção física de autoveículos. Quanto aos licenciamentos, os mesmos avançaram 10,4%. Com base no exposto acima, fica claro que a indústria têxtil do Brasil, a quinta maior do mundo, e a de confecção, quarta maior do mundo, estão sofrendo um ataque jamais visto na sua história.
As razões são sobejamente conhecidas e o Plano Brasil Maior veio como um fator inicial de busca de soluções mais estruturais para o resgate da competitividade, da legítima defesa comercial e da inovação. Mister anotar que a indústria têxtil e de confecção, apesar de ser intensiva em agregação de valor através do trabalho, do design e da criatividade, tem investido mais de US$ 1 bilhão anualmente e, em 2010, superou US$ 2 bilhões.
Senhor Ministro, a ABIT agradece todo o empenho do governo brasileiro no sentido de promover o desenvolvimento da indústria nacional, utilizando para isto políticas públicas compatíveis com as necessidades do país. Apesar do esforço e do trabalho na direção correta, necessário é acelerar a implementação das medidas voltadas para a inovação, competitividade e defesa comercial.
Os números da indústria têxtil são eloquentes e mostram com clareza o quanto os empresários e os trabalhadores do Brasil estão sendo ameaçados por fatores que fogem às suas competências administrativas de gestão e de trabalho. Medidas de impacto imediato tal como as adotadas para a indústria automobilística, anunciadas em 15 de setembro p.p, são absolutamente necessárias para a indústria têxtil e de confecção do Brasil.
Temos certeza de que esta nova posição do governo brasileiro de preservar e desenvolver a indústria nacional será válida, com a mesma intensidade para todos os setores industriais, com ênfase ainda maior para aqueles que são grandes geradores de empregos em todo o território nacional.
Com estima e consideração, subscrevemo-nos.
Cordialmente,
Aguinaldo Diniz Filho
Presidente"



